Desde o início do século XX, o modelo do circo – fragmentado, híbrido, popular e polifônico – interessa e fascina a todas as artes, as quais recebe e serve sem preconceito. Abertura, diversidade e multiplicidade – nada mais velho e mais novo que o circo.

Longe das bilheterias milionárias e recursos sofisticados dos grandes circuitos mundiais, a tradição do circo sobrevive através de pequenas trupes que transitam pelo interior do Brasil. À margem dos grandes centros e da soberania dos meios de comunicação de massa, os pequenos circos articulam interstícios sociais diferenciados, espaços de convivência, socialização e encontro onde o real e o sonho dançam no picadeiro, onde o riso, o medo e o fantástico se alteram em um movimento de ruptura efêmera do cotidiano. O circo errante pelos cantos das cidades, o combate contra a gravidade que diz que toda arte lança um desafio.

Em O Fantástico Circo Teatro de Um Homem Só, Heinz Limaverde transita por vários tipos do imaginário circense, como a mulher barbada, o mágico, a vedete, o cantor, o palhaço, além de expor sua própria persona, tecendo memória com o instante efêmero da cena. O ator transforma-se continuamente diante do público, em um picadeiro que reúne presença e memória, tradição e contemporaneidade, arte e vida.

A montagem, com financiamento FUMPROARTE/PMPA, foi indicada em todas as categorias do Prêmio Açorianos 2011, sendo contemplado com os Prêmios de Melhor Direção e Figurino. Desde então já realizou apresentações por todo o país, participando de vários festivais, entre eles o Festival de Teatro Brasileiro – Cena Gaúcha (2012), e o circuito SESC Palco Giratório Nacional (2013).

O Fantástico Circo-Teatro de Um Homem Só – em circulação pelas cidades de Americana (SP), Poços de Caldas (MG) e Divinópolis (MG) – é apresentado pelo programa Petrobrás Distribuidora de Cultura 2015-2016. Em conjunto com as 3 apresentações em cada local para público em geral e especialmente convidado, o projeto prevê a realização de oficina, tradução integrada em libras, conversas com o público, troca e convívio com outros artistas, em uma proposta que busca estimular o intercâmbio cultural e a diversidade da cena brasileira, compreendendo a experiência teatral como um espaço de diálogo que indica trajetórias possíveis no necessário movimento de comunicação e contato com o outro.